Professor Mário Nunes
Para o professor Mário Nunes os estudos culturais são um campo de aprendizagem para a convivência democrática. Esses estudos têm sua emergência no pós-segunda guerra mundial, na expansão do capitalismo e da indústria de massa. O fim do imperialismo inglês, substituído pela ascensão norteamericana, o aparecimento de contestação cultural no âmbito dos setores populares e dos trabalhadores, fazem surgir culturas próprias desses setores e daqueles vinculados à lutas sociais e políticas, inclusive dos povos que lutam contra a dominação colonialista. O próprio acesso às novas formas de difusão da cultura, produz um movimento contraditório de massificação e resistência.
Solano Trindade, um dos maiores poetas do Brasil, pode tem em seu perfil esse cárater de contestação descrito acima. Veja abaixo um de seus poemas mais conhecidos por denunciar ao mesmo tempo a ditadura militar e seu papel na manutenção de um modo de vida que depende da desigualdade social.
Tem gente com fome
Trem sujo da Leopoldina/ correndo correndo/pra dizer/tem gente com fome/tem gente com fome/tem gente com fome/Piiiiiiii/estação de Caxias/de novo a dizer/de novo a correr/tem gente com fome/tem gente com fome/tem gente com fome/ (...)/trem sujo da Leopoldina/correndo correndo/parece dizer/tem gente com fome/tem gente com fome/tem gente com fome/Tantas caras tristes/querendo chegar/em algum destino/em algum lugar/Trem sujo da Leopoldina/correndo correndo/parece dizer/tem gente com fome/tem gente com fome/tem gente com fome/Só nas estações/quando vai parando/lentamente começa a dizer/se tem gente com fome/dá de comer/se tem gente com fome/dá de comer/se tem gente com fome/dá de comer/Mas o freio de ar/todo autoritário/manda o trem calar/Psiuuuuuuuuu
É nessa perspectiva contestadora que o campo dos estudos culturais relacionam o conhecimento ao poder e a atuação política. Não há imparcialidade, esse é um campo que se posiciona ao lado dos oprimidos. Por isso, é um campo de estudo que rompe com o conhecimento meramente acadêmico e procura a interdisciplinaridade e chega a ser antidisciplinar.
De acordo com o professor Nunes, a escola tem funcionado como vigilante da cultura dominante, que em na
da valoriza o modo de vida local e as experiências cotidianas dos alunos. Com uma prática distante da cultura local, a escola pode tornar-se distante dos interesses dos alunos e de sua comunidade. Esse isolamento produz uma oposição que pode também produzir uma perspectiva de desrespeito e sectarismo ao que é diferente e dificultar as possibilidades de hibridismo e relação positiva, respeitosa e democrática na diversidade.
da valoriza o modo de vida local e as experiências cotidianas dos alunos. Com uma prática distante da cultura local, a escola pode tornar-se distante dos interesses dos alunos e de sua comunidade. Esse isolamento produz uma oposição que pode também produzir uma perspectiva de desrespeito e sectarismo ao que é diferente e dificultar as possibilidades de hibridismo e relação positiva, respeitosa e democrática na diversidade.A escola atua diretamente na formação das identidades dos alunos e nesse contexto de pressões homogeneizadoras e possibilidades de escolhas pessoais. As regras normatizadoras, os sitemas classificatórios que estabelecem padrões aceitáveis e as novas subjetividades que surgem desse processo globalizado e regulam as ações dos indivíduos. As práticas escolares estabelecem uma forma de governar os sujeitos desse espaço, possibilitando a ruptura com a dinâmica dominante atuando sobre a complexidade na qual está inserida e não procurando isolar-se dela.


