sábado, 5 de maio de 2012

Módulo III - Convivência Democrática na Escola - Aula 28

Encaminhamentos Pedagógicos na Escola Pública Sobre a Questão Religiosa
Profª Roseli Fischmann - FEUSP


A professora Fischmann destaca que toda a discussão com relação à questão religiosa na escola tem como marco e, se desenvolve, a partir da Constituição de 1988 e depois com a LDB.

É no contexto da liberdade religiosa e da separação entre Estado e Religião que toda a polêmica sobre o ensino religioso se desenvolve. A Constituição define que o ensino deve ser oferecido e cabe aos alunos ou responsáveis decidirem se participarão. Que religião seria ensinada? Aquela da preferência da maioria dos alunos ou responsáveis, ou seja, a minoria de outras crenças ou quem não tem religião ficariam constrangidos a esta exposição. O que é diferente torna-se excluído e a diferença torna-se desigualdade.

Muitos problemas já foram discutidos a respeito do ensino religioso na escola pública, tanto que a questão está em discussão no Supremo Tribunal Federal.

Uma outra situação que ainda é, infelizmente, recorrente nas escolas públicas é a imposição de objetos ou de ações e temas ligados a uma religião. Ainda podemos ver cruzes, Bíblias, celebração da páscoa, do natal, e até rezas em reuniões pedagógicas e em aulas. Tudo isso acontece como se fosse natural. E muitas vezes de acordo com o que se escreveu na legislação equivocadamente, que a religiosidade é parte da formação básica do cidadão. Como se respeito, ética e "bom comportamento" dependesse do aluno acreditar em deus ou numa determinada religião. Nesse campo, temos muito a aprender ainda.

Módulo III - Convivência Democrática na Escola - Aula 27

A Produção da Identidade / Diferença - A questão da Religião
Profª Roseli Fischmann - FEUSP

A identidade da pessoa é singular, mas tem essa singularidade construída a partir da pluralidade que compõe a sua vida e suas experiências. A professora Fischmann destaca que a identidade do indivíduo não é apenas o seu presente, cada um é aquilo que viveu, sua memória, aquilo que sabe e que outros além dele sabem. Assim, a singularidade também está vinculada à relação que mantém com os outros. E seus projetos para o futuro também compõem sua identidade. A identidade de uma pessoa não segue um padrão linear, é plena de análise sobre nossas experiências e nosso planejamento para o futuro, o que interfere diretamente nas atitudes que cada um efetiva no seu presente.

Nesse aspecto a questão da religiosidade se insere, pois é algo que pode-se herdar da família e da comunidade da qual faz ou fez parte, mas também pode ser algo escolhido ou simplesmente recusado.
No caso de uma escola democrática, voltada para a educação em direitos humanos, o respeito e a tolerância devem ser princípios diante da diversidade religiosa que se expressa na escola.

O Estado e a escola são laicos, assim como se tolera e respeita a religiosidade individual, o indivíduo religioso também deve respeitar e tolerar as demais crenças e ou descrenças das pessoas com quem vai conviver num espaço público. A professora Fischmann ainda destaca a legislação (Constituição de 1988) que determina que é vedado ao Estado estabelecer cultos religiosos no espaço público, para que ninguém possa ser constrangido ou discriminado. Pelas imagens que vemos acima e abaixo, podemos perceber que ainda não se compreendeu a fundo a perspectiva da laicidade do Estado e das suas instituições públicas.

Módulo III Educação em Direitos Humanos - Aula 26

O Papel da Escola no Processo Educativo de Direitos Humanos
Professora Aida Monteiro - Universidade Federal de Pernambuco

 
 
 
As primeiras questões-chave para iniciar a discussão dessa aula, são, como coloca a professora Monteiro, "O que é a escola?", "Qual é o seu papel?" e "Como pode agir na perspectiva dos direitos humanos?"

Pensando nisso, Monteiro diz que a escola é um local importante para diversos tipos de aprendizagem, seja no campo afetivo, cognitivo, profissional etc., ou seja, reúne gente que pode socializar esses conhecimentos em diversos campos.

Nesse espaço, então, pode-se transversalizar valores e fortalecer a prática da democracia na sociedade. Isso requer um projeto norteador que incorpore a discussão em direitos humanos, sendo intolerante com qualquer tipo de discriminação. Assim, os conteúdos de direitos humanos devem estar explicítos no currículo escolar. Estudar os documentos, incorporar a diversidade efetivamente  nas práticas de aprendizagem cotidianas dos alunos e professores.

A metodologia deve estar sempre com o sentido de contribuir com o conhecimento dialógico, com relação à construção de uma visão critíca e uma capacidade de análise da realidade. A aprendizagem ocorre no cotidiano da escola e o que está fora dela, deve ser integrado a esse processo. Afinal, desenvolver um sujeito de direitos e deveres não é algo que surge espontaneamente, é fruto de uma construção consciente, planejada e dirigida.

Módulo III - Educação em Direitos Humanos - Aula 25

Comitês de Direitos Humanos: Parcerias Possíveis
Profª Sinara Zardo - Universidade de Brasília

A partir da Convenção de Viena, em 1993, a Educação em Direitos Humanos torna-se um dos elementos centrais na estratégia para constituir uma cultura em DH e formar sujeitos de direitos e deveres.

Os comitês articulam-se com o governo para propor políticas  públicas que caminhem para esse objetivo. Sua função é também a de monitorar e fiscalizar a implementação das políticas de Educação em DH, como ferramenta de defesa dos mesmos. Em 2007, procurou-se parcerias com Universidades para a elaboração de pesquisas e estudos na área, para capacitar pessoas para a Educação em DH. A proposta era a de descentralizar o processo para fortalecê-lo em âmbito estadual e municipal como uma política de Estado.

Módulo III - Convivência Democrática na Escola - Aula 24

Gênero e Diversidade Sexual: Desafios para a Prática Docente
Professora Claudia Vianna - FEUSP

A professora Vianna parte do pressuposto de que o Estado não é neutro. Ele regula as relações sociais e reafirma uma determinada condição ou outra. A luta pelos direitos da mulher nos movimentos sociais ganha força na década de 1990 e o tema sobre sexualidade, relações de gênero e orientação sexual acompanham esse processo. Os PCNs passam a incorporar a temática de modo transversal e a partir de três eixos: corpo, relações de gênero e prevenção de DST/Aids.

Vários problemas foram apontados nessa tentativa de levar a questão para o currículo escolar:
  • não leva em conta a formação do professor;
  • tem um cárater muito prescritivo;
  • não dá destaque para a diversidade sexual e demonstra resistência quanto à inclusão do tema na escola;
Para romper com a discriminação sexual é necessário conhecer o processo de construção da nossa sexualidade e dos papéis sociais ditos como naturais entre homens e mulheres (como mostra a história da mãe da Mafalda no vídeo acima), compreender que trata-se de um desenvolvimento cultural da sociedade humana ao longo da história. O que percebe-se, e a professora Vianna afirma com base em pesquisas, que há um comportamento homofobico entre os professores, que há uma reprodução de estereótipos na escola. Daí a necessidade da formação inicial docente, para sairmos da naturalização e reprodução desses estereótipos e romper com a hierarquização das relações entre os diferentes.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Módulo III - Convivência Democrática na Educação - Aula 23

Relações Sociais de Gênero: Um Direito e uma Categoria em Análise
Profª Claudia Vianna - FEUSP

A luta pelos direitos das mulheres ainda é um problema em todas as partes do mundo. Nas imagens ao lado, podemos ver Margarida Maria Alves, sindicalista assassinada a mando de fazendeiros em 1983, em Alagoas; depois uma mulher sendo enterrada no Afeganistão para a execução de sua pena de morte; e as cruzes da cidade de Juarez, no México, onde milhares de mulheres já foram estupradas e assassinadas sem que ninguém fosse investigado ou preso. Todas combinam o fato de serem da classe trabalhadora, no Afeganistão, aliás, sequer o direito ao trabalho remunerado as mulheres podiam praticar no governo do Talebã.

 O movimento feminista de massa passou por dois momentos importantes na história contemporânea:
1ª onda - envolveu basicamente a classe média que lutou principalmente pelo direito ao voto.
2ª onda - foi o aprofundamento das questões sociais e políticas contra o patriarcado e o modelo de relação entre homens e mulheres.
No Brasil, com a luta pela redemocratização, as mulheres também foram à luta pelas questões gerais e específicos de sua condição. Muitas organizações feministas surgiram na década de 1980 e 1990.

Mas questão do machismo é desigual também entre as mulheres. Mulheres trabalhadoras sofrem muito mais com essa opressão porque ela está vinculada à exploração do seu trabalho. Há uma hierarquia na relação entre homens  e mulheres e que também se subordina às necessidades de exploração dos trabalhadores. Assim as mulheres ainda acumulam dupla jornada, os homens ainda "ajudam" no trabalho doméstico, seu trabalho é sempre considerado inferior ou menos importante etc...
 É com os estudos e as discussões sobre a questão da mulher que chega-se a ampliar a discussão para a questão da sexualidade em geral. Assim, incorpora-se ao debate e à luta contra a opressão e o preconceito, a situação dos GLBTs.
Estudos importantes, como o de Margareth Mead, antropóloga, desmitificam a condição da mulher e do homem como algo natural. E começa-se a ter consciência de que nossos comportamentos são parte da construção social e histórica da humanidade em cada época. E o que se construiu, pode-se desconstruir e reconstruir de modo diferente: mais igualitário, mais justo, mais humano.

A escola em geral, e o professor em particular, continua reproduzindo e naturalizando em seus discursos e nas relações sociais, o padrão dominante, mantendo e ensinando as relações de poder hierarquizadas entre homens e mulheres no cotidiano. Reproduzindo aquilo que mantém mais da metade da população brasileira, numa condição de desigualdade. 
 








Módulo III - Educação em Direitos Humanos - Aula 22

EDH, Inclusão e Acessibilidade
Profª Sinara Zardo - Universidade Nacional de Brasília

Assim como os demais direitos humanos, as reivindicações das pessoas com necessidades especiais ganham força a partir da década de 1990, após a Constituição de 1988.  A questão tem a ver com o modo como as diferenças são tratadas para garantir a igualdade de acesso aos direitos comuns a todos. A perspectiva que se apresenta é de integração e inclusão dessas pessoas aos mesmos espaços que todas as demais participam.

A escola é um desses espaços, e mais, se a educação tornou-se um direito humano central e um lugar para a formação em direitos humanos, seria incoerente não garantir a participação de todos em sua vida cotidiana. 

A escola adquire novas tarefas nesse processo, identificar as necessidades específicas de seus alunos, adaptar o currículo e a estrutura física e material para possibilitar o acesso à aprendizagem em igualdade de condições. É com esse objetivo que surgem as Diretrizes Nacionais da Educação Especial na Educação Básica.

Combinada com a aprendizagem na Educação Básica, a Educação Especial é uma modalidade de ensino que complementa ou suplementa o atendimento educacional ao aluno, sempre no contraturno e de forma transversal.

Não basta que os professores, gestores, funcionários e alunos em geral, saibam o que é necessidade especial e que precisam de direitos específicos para ter garantido o mesmo acesso aos direitos que todos têm. O professor deve ter um conhecimento específico e adequado para garantir o acesso efetivo desse aluno à educação e à aprendizagem em sua disciplina. Os gestores precisam se preocupar com ações práticas no processo de adequação da estrutura física e de materiais específicos. Os alunos devem conhecer o assunto para respeitar e integrar realmente todos os colegas com todas as suas diferenças.

Situação que sabemos, infelizmente, não existe.   

Módulo III - Educação em Direitos Humanos - Aula 21

Educação em Direitos Humanos na Sala de Aula
Profª Ana Maria Klein - Unesp

Nessa aula sobre a educação em direitos humanos na sala de aula, a professoa Klein especifica o que é aprendizagem e quais são os elementos que a compõem. A primeira coisa que destaca é que aprendizagem é a síntese de tudo o que o indivíduo traz com ele de suas experiências e não trata-se apenas de conteúdos escolar. Na escola, o professor e o aluno se apresentam com uma aprendizagem anterior, as quais vão poder trocar no espaço escolar, onde um novo aprendizado irá ocorrer.

        Outra condição importante é que para acontecer um processo de aprendizagem, a pessoa precisa querer aprender e sua aprendizagem vai se incorporar à sua maneira de ver e atuar no mundo. O estudante é, por isso, o centro do processo de aprendizagem e, consequentemente, deve também participar como sujeito ativo na relação com a construção do conhecimento.

O conteúdo e a prática devem caminhar de modo combinado, inseparável e interdisciplinar na complexidade da própria realidade. Realidade que deve ser analisada e problematizada a partir da realidade do aluno e da escola e, relacioná-la com o seu aspecto universal.

As metodologias ativas favorecem a compreensão crítica da realidade e a identificação de quais direitos são cumpridos e quais são violados. Organizar as situações de aprendizagem contra a educação bancária, promovendo atividades sociais e individuais, o desenvolvimento de projetos coletivos no qual cada um assume a sua responsabilidade diante dos demais, onde se preocupam com a resolução e discussão de problemas que eles próprios vivenciam, é a forma mais coerente para uma educação voltada para formar as novas gerações na vivência dos direitos humanos e no processo de sua busca plena.  

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Módulo III - Convivência Democrática na Escola - Aula 20

Diferente Possibilidades Culturais no Currículo Escolar
Profº Cesar Rodrigues - FEUSP

Quando se discute o trabalho etnicorracial na escola, é necessário partir da compreensão geral de que os alunos têm identidades construídas em seus espaços de vivência como a família, a comunidade onde vive, a escola que frequenta e também pelo poder de influência da mídia em geral, e da televisão em particular. O que o professor Rodrigues questiona é "Como a escola reproduz esse contexto?" ou "Como a escola pode desconstruir essa situação?". E é a partir desses questionamentos que se propõe um trabalho pedagógico que:
  • abra espaços para as culturas e identidades que não são parte da identidade-referência propagandeada pela mídia;
  • procurar saber e conhecer as manifestações culturais dos alunos e da comunidade da qual a escola faz parte;
  • fazer o diálogo entre a cultura popular discente e trazê-la para o currículo escolar.
Além disso, é fundamental evitar certos equívocos que muitas vezes ocorrem na tentativa de incorporar a questão etnicorracial ao currículo escolar:
  • Evitar discussões, chamadas pelo professor Rodrigues de "turistícas", sobre o tema. Por exemplo, só discutí-lo no dia 20 de novembro ou outra data importante, assim, a questão é tratada como algo folclórico desvinculado da questão central que é compreender o processo histórico, social e econômico que gerou a desigualdade entre brancos e negros no Brasil, que separa a conquista do dia da Consciência Negra do processo de luta pelos direitos humanos da maioria do povo brasileiro e assim por diante.
  • Tomar cuidado para não (re)produzir visões equivocadas como a ideia de que existe no Brasil uma democracia racial, de os negros são racistas também, de uma discussão que coloque o afrodescendente como "coitadinho".
A questão fundamental dessa discussão na escola é uma postura de justiça curricular e histórica, e não uma concessão. É uma conquista aprender a história e a cultura do Brasil e do mundo por inteiro, sem excluir ou omitir a parte que incomoda os grupos dominantes que enriqueceram às custas dessa injustiça.

Abaixo, podemos ver um dos resultados desenvolvidos numa escola da prefeitura de São Paulo. Trabalhou-se com os alunos "Contos, mitos e lendas da África" e depois foi produzido com eles um audiolivro com 18 histórias lidas pelos alunos dos 6ºs anos no ano de 2010.

Módulo III - Convivência Democrática na Escola - Aula 19

Relações etnicorraciais na escola
Profº Cesar Rodrigues - FEUSP

O professor Rodrigues parte da exposição de conceitos desenvolvidos por Kabengele Munanga (2004). O objetivo da aula é definir conceitos fundamentais para a discussão e o trabalho pedagógico na questão étnicorracial.
  • Raça - Conceito que se aplica à espécie humana. A discussão sobre esse conceito implica em questões políticas e sociais porque hierarquiza a sociedade humana em grupos considerados superiores e inferiores para justificar relações de poder e econômicas.
  • Racismo - Esse não é um conceito consensual. Pelo dicionário Houaiss é a "hierarquia entre raças e etnias". Pressupõe o uso de diferenças etnico-culturais para a dominação de um grupo social por outro numa relação de poder social e econômica hierarquizada. 
  • Etnia - O professor Rodrigues, com base em Munanga (2004, p. 29), diz que é um "conjunto de indivíduos que historica ou mitologicamente, têm um ancestral comum, têm uma língua em comum, uma mesma religião ou cosmovisão, uma mesma cultura, moram geograficamente num mesmo território". Mas salienta que o uso desse conceito não pode servir para amenizar ou mascarar o racismo ou estimular a ideia da "democracia racial".

Módulo III - Educação em Direitos Humanos - Aula 18

Educação em Direitos Humanos em Ambiente Escolar
Profª Ana Maria Klein - Unesp

A professora Klein destaca nessa aula que não basta assegurar juridicamente os direitos humanos, é necessário saber e querer vivê-los, considerá-los importantes para não ficarmos sempre correndo atrás do que está sendo violado. Esse processo não ocorre espontaneamente, daí a importância da educação escolar na formação das novas gerações numa cultura que sabe e vive nos direitos humanos.

A escola deve proporcionar a vivência e a convivência democrática orientada nos direitos humanos, através do protagonismo estudantil e articulada com a comunidade do entorno no qual a escola está inserida. A escola deve ter como princípio a coerência entre o discurso e a prática construindo em seus espaços um modo de vida composto por elementos como um espaço:
  • de vivência que ponha em prática os direitos humanos em seu cotidiano;
  • que crie e consolide relações com o entorno da escola, com as pessoas e instituições;
  • que estabeleça relações sócio-afetivas com os estudantes, entre os membros que compõem a comunidade escolar, com a escola;
  • que garanta condições materiais para o desenvolvimento efetivo dos projetos e propostas de trabalho;
  • que a infraestrutura da escola esteja adequada para realizar as vivências e ações em direitos humanos.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Módulo III - Educação em Direitos Humanos - Aula 17

Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos
Profª Aida Monteiro - UFPE e Comitê Nacional de Educação em Direitos Humanos

Com a elaboração dos documentos de referência para os direitos humanos, a educação começa a ser compreendida como um direito fundamental do ser humano para acessar outros direitos. Saber-se como sujeito de direitos e deveres é o primeiro passo para buscá-los ou denunciar sua violação.


Um Plano de Educação em Direitos Humanos deve colaborar, antes de mais nada, com a sistematização e organização dos debates sobre as questões que envolvem a desigualdade entre as pessoas e de como se expressam na vida da escola. O vídeo acima mostra inclusive o despreparo de políticos com responsabilidades nacionais que não possuem a menor condição para refletir sobre a temática. O que demonstra a necessidade de uma ampla e profunda formação  para os escalões dos poderes públicos com relação aos direitos humanos. A discordância com uma proposta política pode e deve ser feita, mas dentro dos marcos do respeito e da democracia, de um modo que pelo menos rompa com a visão tradicional herdada do colonialismo como já nos foi falado nas aulas iniciais sobre os direitos humanos.

O Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos, de 2006, surge assim, para orientar as instituições educacionais como modo de efetivar e fortalecer políticas públicas que voltadas para os direitos humanos. Está organizado em cinco elementos centrais:
  • Educação Básica - Prevê que nenhuma pessoa pode estar sem acesso à educação, com a proposta de uma educação baseada na transversalidade, no conhecimento da história e do processo de humanização da pessoa.
  • Educação Superior - Busca romper com a visão tradicional impregnada no ensino superior, destacando a relação entre ensino, pesquisa e extensão, além de propor a inserção dos conteúdos de direitos humanos no seu currículo.
  • Educação Não-Formal - Espaço também muito importante visto que existem muitas experiências significativas no âmbito dos movimentos sociais organizados em sindicatos, MST, associações de bairro, igrejas etc.
  • Educação para os profissionais da justiça e da segurança pública - Sistema de Justiça e Segurança Pública têm que ser preparados para atuar com a compreensão de que devem proteger a pessoa humana, o sistema deve ser operacionalizado nesse sentido.
  • Educação e Mídia - A importância e o poder adquiridos pela mídia no processo de formação das pessoas, sem que elas próprias tenham consciência disso, a transforma num meio para ações e propaganda em direitos humanos.
A escola deve conhecer e seguir as orientações desse Plano, comprometendo-se com o processo de formação de uma sociedade mais justa e igualitária.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Módulo III - Convivência Democrática na Escola - Aula 16

Encaminhamentos Pedagógicos: Blog no Ensino de Ciências
Professora Mônica Fogaça - Feusp

Nessa aula a professora Fogaça demonstra como um "blog" pode ser utilizado como ferramenta de aprendizagem pelos alunos, mas também como forma de a escola se apropriar da tecnocultura tão presente na vida cotidiana dos alunos. Os elementos da tecnocultura podem ser instrumentos de produção e divulgação de conhecimento permitindo a interação dos alunos com dados e informações que possibilitem a reflexão sobre temas diversos.

É uma proposta de trabalho que deve ser parte de uma construção com os estudantes, tanto nos conteúdos a serem abordados, quanto no tipo de leituras necessárias e de escrita a ser desenvolvida. O que fica evidente no uso do blog como instrumento de aprendizagem, é que se constrói com os alunos um processo de negociação democrática não apenas quanto aos conteúdos a serem pesquisados e produzidos, mas deve haver uma preocupação quanto à forma de apresentação dos resultados a serem produzidos pelos alunos. Isso traz a problematização sobre a cultura ou tecnocultura da juventude, possibilitando um reflexão sobre si mesmo. O que pode ser bastante interessante se não for feito com preconceito ou desvalorizando o modo de expressão da juventude com relação a uma visão mais padronizada da escola.
Abaixo podemos visitar dois blogs criados para colaborar com a aprendizagem dos estudantes, ainda muito aquém da proposta apresentada nessa aula, mas que já dialoga com a linguagem diversificada que os alunos gostam de ver, além de estimular o uso da tecnologia da internet para algo que vai além do mero consumo e entretenimento.

História e Cultura - Conhecer para Transformar! http://historiaalvim.blogspot.com/

Italiano nella scuola! http://italianoalvim.blogspot.com/

Módulo III - Convivência Democrática na Escola - Aula 15

Produção da Identidade/Diferença: culturas juvenis e tecnocultura
Professora Mônica Fogaça - Feusp

Nessa aula a professora Fogaça discute a relação entre a diversidade juvenil e a expressão de suas culturas nos espaços desenvolvidos pelas mídias e tecnologias da informação. Inicia circunscrevendo a juventude como um processo cultural e não biológico, ou seja, sua constituição depende, ao longo da história humana, de condições econômicas, sociais, culturais e ideológicas.

É desse modo, um acontecimento histórico que atualmente, de acordo com a cultura de cada país e região, vem sendo muito influenciado pela mídia globalizada. A valorização de certos padrões e a desvalorização de outros ocorre também a partir de um mapeamento da juventude, visando a sua manipulação e sedução para comportamentos que propiciem o consumo.
A escola pode e deve aprender como fazer uso desse mecanismo para conseguir dialogar melhor com essa juventude, com os seus hábitos e, inclusive, fazê-la refletir sobre essa aparente liberdade e individualidade construída pela cultura de seu grupo social mas manipulada de modo quase imperceptível pela mídia.

Saber utilizar os aparelhos eletrônicos que os estudantes adoram à favor de um processo de reflexão, elaboração, questionamento, debate e divulgação desse processo, é uma necessidade para a escola romper com sua visão e prática linear de aprendizagem. Inclusive para romper com o viés puramente consumista, superficial e alienado que esses aparelhos tem tido nas mãos dos alunos.

Módulo III - Educação em Direitos Humanos - Aula 14

Dimensões da Educação em Direitos Humanos
Professora Ana Maria Klein - Unesp

Como em aulas anteriores reafirma-se o ano de 1948 como um dos maiores marcos no processo de sistematização dos direitos humanos no mundo. No entanto, é apenas na década de 1990 que inicia-se uma implementação mais efetiva daquilo que já havia sido formalizado em muitos documentos de referências.

No Brasil, foi o Programa Nacional que ofereceu orientações de como desenvolver a educação em direitos humanos, o que firmava o compromisso do país com esse processo. Em elaboração ainda temos as Diretrizes Nacionais da Educação em Direitos Humanos que estabelecerá a obrigatoriedade do tema na educação escolar em suas diversas dimensões:
  • Conhecimentos Históricos - Para compreender o que são os direitos humanos, as pessoas devem compreender como surgiram, de que necessidades surgiram, de quais processos sociais e históricos, enfim, como se desenvolveram com o próprio desenvolvimento da pessoa humana.
  • Valores - É necessário construir a idéia dos valores como necessidades concretas das pessoas, e não como conceitos abstratos. Aprender a democracia, a liberdade, igualdade, equidade, justiça, participação, inclusão, diversidade etc., vivenciando experiências práticas que demontrem como esses valores são fundamentais à vida humana. Não basta explicar na teoria, senão, corremos o risco demonstrado pelo quadrinho ao lado, no qual o personagem "Manolito" não compreende que os valores morais, éticos e humanos são o que temos de mais importante e funcional para a vida humana se realizar.
  • Processos metodológicos - O estudante é o sujeito político central dessa aprendizagem, ele tem de ser o protagonista.
Não há uma visão única sobre o que são os direitos humanos, a compreensão de cada um depende do lugar e da posição social que ocupa na sociedade. Por isso a importância de partir da realidade do aluno e de problematizá-la, frente a outras realidades e outras visões sobre aquela condição e outras.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Módulo III - Educação em Direitos Humanos - Aula 13

Educação em Direitos Humanos nos Documentos de Referência
Profª Nazaré Zenaide - UFPA (Universidade Federal Paraíba) e do Comitê Nacional de Educação em DH

Nesssa aula, a educação aparece como um direito importante na formação da pessoa humana. Tanto no sentido de conhecer os direitos humanos, de saber como se constituiram e se desenvolveram, quanto no sentido de poder vivenciá-los desde criança em seu espaço de vivência.  Com a história das Marias José, de Lurdes, Aparecidas e tantas outras, como o vídeo acima nos mostra, a educação aparece como uma possibilidade de uma vida diferente, onde escolhas poderiam ser feitas, onde a consciência de sua própria situação poderia ser questionada e talvez transformada.

Apesar do curta "Vida Maria" mostrar uma violação dos direitos humanos no Brasil de hoje, sabemos que o marco para a compreensão sobre a importância da educação na formação para os direitos humanos é o pós-guerra (1948), quando os primeiros documentos começam a ser escritos e partilhados por vários países do mundo, inclusive pelas grandes potências que saíram vitoriosas da guerra. A partir do momento que cada país assina as Declarações, as Convenções, os Tratados e até a incorporação dos Direitos Humanos nas suas Constituições Nacionais se submete à jurisdição penal internacional, se compromete e aceita o monitoramento dos órgãos de direitos humanos do seu país e internacionalmente.

A educação em direitos humanos é um instrumento para defender os direitos da pessoa, lutar contra as violações cometidas e educar para formar as novas gerações nessa perspectiva dos direitos humanos como algo que faça parte da sua vida. Cada pessoa deve passar a realizar-se enquanto sujeito de direitos, reconhecendo no outro, um outro sujeito de direitos. Para isso, os documentos de referência podem e devem se tornar objetos de estudo e pesquisa nos espaços de aprendizagem de estudantes, professores e gestores.

As tecnologias e a mídia são os instrumentos que possibilitam chegar a milhões de pessoas, e mais importante, a alcançar a juventude em formação com elementos de sua própria linguagem e cotidiano.