segunda-feira, 9 de abril de 2012

Módulo III - Convivência Democrática na Escola - Aula 8

A característica multicultural da sociedade contemporânea e suas consequências para a convivência democrática - A convivência democrática e a sociedade contemporânea





Professor Marcos Garcia Neira - Usp


Nessa aula o professor Neira apresenta o contexto do 3º milênio como o de realidades diversas, nas quais a desigualdade e o consumismo são lados de uma mesma moeda. Onde distintos grupos étnicos, etários, classes sociais etc., se misturam e, se contrapõem numa configuração sócioeconômica e cultural que apresentam novas possibilidades de combinações e hibridismo.


A circulação de pessoas, de informações, de textos culturais que influênciam o indivíduo em diversos sentidos. Mas que também expressam simbolicamente políticas de identidades que dizem como você deve ou não ser, numa dinâmica que procura a prevalescência de posições hegemônicas.


Na realidade, esse contexto traz em si novos elementos geradores de conflitos, como diz o professor Neira, onde ocorre um confronto entre forças de homogeneização e de distinção, gerando mecanismos de inclusão e exclusão, produzindo representações do que é considerado "o outro" e por fim, também traz para a sociedade a reivindicação e a negação da diversidade.


É aqui que a escola pode atuar. Na perspectiva da convivência democrática, o multiculturalismo trouxe políticas públicas que favorecem a inclusão e a aceitação do diferente. A questão sobre a equidade e de se compreender que as diferenças trazem a necessidade de direitos diferentes para se garantir oportunidades iguais.


O trabalho demonstrado abaixo procurou justamente dar visibilidade ao que há de diferente e igual em culturas que aparentemente são incompátiveis e, geralmente, colocadas em uma hierarquia de cultura que é considerada superior (greco-romana) e outra inferior (africana). Depois de pesquisas feitas e apresentadas pelos alunos, e de discussões, eles escolheram o que queriam comparar e montaram um painel com suas pesquisas. Aqui, apresento um exemplo em power-point, que eles puderam explorar no blog da disciplina de história, onde alguns de seus trabalhos e meios de pesquisa podem ser acessados (http://historiaalvim.blogspot.com).



Módulo III - Convivência Democrática na Escola - Aula 7

Os estudos culturais e a produção da identidade e da diferença
Professor Mário Nunes - Usp















O professor Nunes inicia a aula resgatando a idéia de que a cultura regula normativamente a ação do indivíduo e, desse modo, é parte do processo de formação da sua identidade. O professor destaca três visões sobre a construção da identidade:
1. Iluminista - Nessa visão a identidade da pessoa é inata, pouco se desenvolve ao longo da vida.

2. Sociológica - Trabalha com a idéia de que a identidade do indivíduo sofre alterações na sua

relaçao com o meio social no qual está inserido.

3. Pós-moderna - Afirma que as condições do meio trazem novas formas de identidades, o indivíduo tem em si uma multiplicidade de identidades, não há um padrão. É a defesa de uma relatividade na qual o indivíduo pode se identificar ou diferenciar de acordo com as situações e relações que vai estabelecendo na sua vida, em "permanente processo de transformação", como diz o professor Nunes.
A questão da identidade, que pode parecer algo absolutamente individual, é parte de uma disputa pelo poder. Numa sociedade globalizada e dominada pelos grandes conglomerados que controlam as mídias e as indústrias da comunicação, da moda, da beleza, dos esportes, do cinema, novela, cartoons, tv etc., cria-se e dissemina-se o que é considerado "identidades positivas" e "identidades negativas". Comportamentos, tipos físicos, modos de se vestir e tantas outras esferas que permeiam o cotidiano de todas as pessoas sofrem o tempo todo a pressão desse sistema simbolico cultural que detém o poder de classificar, valorizar e desvalorizar as pessoas.



Nesse contexto, a escola, em suas relações cotidianas, geralmente reafirma os pressupostos desse sistema simbolico que se baseia na negação do outro. Os clips abaixo, representaram uma das formas como a junventude de uma época criticou esse papel, tanto da escola quanto dos meios de comunicação, sobre a constituição da identidade das novas gerações. Apesar de expressar o modo de ver o mundo de uma outra geração, anterior a de nossos alunos, a questão abordada é muito atual. As letras dizem respeito à pressão a uma homogeneização pelo consumo, ao poder de regulação cultural que as midias exercem sobre a construção da identidade. Mas de outro lado, também expressa a atitude de rebeldia, de resistência, diante dessas pressões. Resistências que também hoje podemos encontrar nas atitudes de nossos jovens alunos, e a partir daí, podemos avançar com eles num processo de ruptura com as falsas identidades únicas que a massificação procura fixar nos indivíduos.




domingo, 8 de abril de 2012

Módulo III - Educação em Direitos Humanos - Aula 6

Direito Internacional e Educação em Direitos Humanos
Professor Guilherme de Almeida - Faculdade de Direito da Usp


Nessa aula, o professor Guilherme de Almeida inicia falando que a noção de pessoa é um criada pelo direito. Quando nasce a pessoa recebe um nome, um documento, o que lhe garante direitos sociais, políticos e econômicos. A questão de como cada nação define legalmente a pessoa de direitos em seu território, define e constitui os direitos dessa pessoa. Assim, a definição de pessoa está também ligada à cidadania, ao direito de ter direitos e a ser protegido como pessoa humana.
É desse modo que a citação de Celso Lafer - "É para que o reconhecimento da existência independa do amor, da simpatia ou da amizade entre os homens, é que existem os direitos" -, contribui para compreender o direito humano como a busca de uma prática ética que não se submete à individualidade, apesar de servir para garanti-la.

Como já foi dito em aulas anteriores, os direitos humanos acompanham as transformações e necessidades que surgem no desenvolvimento da sociedade. Assim, situações novas que passaram a ser reconhecidas no pós-segunda guerra mundial, trouxeram à tona o direito da pessoa humana apatrida ou refugiada. Fica estabelecido que o direito de proteção à pessoa humana independe da sua nacionalidade ou da falta dela.



No vídeo acima podemos perceber o quão contraditório pode ser o processo de luta pelos direitos da pessoa no âmbito do Direito Internacional da Pessoa. Israel lembra corretamente o terror dos campos de concentração, mas não tem atendido aos apelos para que pare o genocídio contra o povo palestino, de quem tomou o território para criar o seu país.



























Ainda é possível ver as construções de muros que segregam, que alimentam o preconceito e a intolerância, como o muro construído por Israel e Eua. Em nossas escolas é possível apresentar essas realidades partindo da vivência de nossos alunos com a presença cada vez maior de bolivianos (http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/805761-alunos-bolivianos-pagam-para-nao-apanhar-em-escola-estadual-de-sp.shtml), africanos e haitianos (http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1022174-soldados-brasileiros-sao-investigados-por-maus-tratos-no-haiti.shtml) refugiados ou como imigrantes em nosso país. Buscar construir pessoas que tenham solidariedade com os povos mais oprimidos e explorados. Discutir, a partir das convenções internacionais quais o Brasil cumpre e o que está violando, discutir o papel das forças armadas brasileiras nos morros do Rio de Janeiro, no Haiti.

Módulo III - Educação em Direitos Humanos - Aula 5

Professora Ana Maria Klein entrevista Solon Viola


A questão central dessa entrevista é falar sobre a representação social em direitos humanos na sociedade brasileira, e de como a escola pode contribuir com o desenvolvimento de conhecimento e práticas de direitos humanos em seu cotidiano.

Solon Viola enfatiza que essa é uma questão recente na vida da sociedade brasileira, visto que temos poucos períodos de democracia em nossa história. A emergência da discussão e reivindicação de direitos humanos no Brasil deu-se no processo de luta contra a ditadura militar de 1964-1985. Foi um início conturbado inclusive porque os grandes meios de comunicação, o que o professor chama de mídias eletrônicas, cumpriu um papel de distorção sobre o que seriam os direitos humanos. Assim, essa mídia desenvolveu na sociedade uma visão preconceituosa que deprezava os setores pobres e vinculados ao mundo do trabalho. Demonstrou o que era a nossa herança escravista e colonial incrustrada no pensamento da classe dominante brasileira.

Para o professor a reconstrução de uma visão correta sobre os direitos humanos e sua aplicação só pode dar-se com a recuperação da história das lutas e das conquistas do povo pobre e dos setores oprimidos da nossa sociedade. Recuperar as conquistas obtidas na luta contra o preconceito e a violência contra a mulher, o negro, o índio, a criança, os trabalhadores em geral, mostrará à sociedade de conjunto que essa é a luta pelos direitos humanos. Recuperar a história do Brasil do período da ditadura militar, abrir os arquivos que ainda existem, dar o direito aos familiares de enterrar os seus mortos, punir os torturadores é uma forma de reconstruir a história do país na lógica de construção dos direitos humanos.

A escola tem papel fundamental para colaborar com esse processo, tanto no que diz respeito ao estudo, ao conhecer os direitos da pessoa humana, quanto no que diz respeito ao desenvolvimento de práticas escolares que efetivem na vida da escola e de sua comunidade os direitos humanos em estudo.

Os trabalhos demonstrados nas imagens abaixo mostram como se pode resgatar parte de nossa herança cultural e histórica, para inclusive valorizar os setores afro-descendentes da nossa comunidade, para discutir como se lutou e se luta pelos direitos humanos ao longo da história e que resgatar esses processos é continuar avançando na humanização da pessoa. Valorizar a ação do aluno, seus pontos de partida e sua trajetória, para que ele se perceba como uma pessoa de direitos nos espaços que ocupa e pretende ocupar.






click nas imagens para ver a webquest dos dois trabalhos realizados na Emef Arthur Alvim.






http://www.webquestbrasil.org/criador/webquest/soporte_tablon_w.php?id_actividad=17900&id_pagina=1
http://www.webquestbrasil.org/criador/webquest/soporte_izquierda_w.php?id_actividad=18032&id_pagina=1