quinta-feira, 3 de maio de 2012

Módulo III - Convivência Democrática na Escola - Aula 20

Diferente Possibilidades Culturais no Currículo Escolar
Profº Cesar Rodrigues - FEUSP

Quando se discute o trabalho etnicorracial na escola, é necessário partir da compreensão geral de que os alunos têm identidades construídas em seus espaços de vivência como a família, a comunidade onde vive, a escola que frequenta e também pelo poder de influência da mídia em geral, e da televisão em particular. O que o professor Rodrigues questiona é "Como a escola reproduz esse contexto?" ou "Como a escola pode desconstruir essa situação?". E é a partir desses questionamentos que se propõe um trabalho pedagógico que:
  • abra espaços para as culturas e identidades que não são parte da identidade-referência propagandeada pela mídia;
  • procurar saber e conhecer as manifestações culturais dos alunos e da comunidade da qual a escola faz parte;
  • fazer o diálogo entre a cultura popular discente e trazê-la para o currículo escolar.
Além disso, é fundamental evitar certos equívocos que muitas vezes ocorrem na tentativa de incorporar a questão etnicorracial ao currículo escolar:
  • Evitar discussões, chamadas pelo professor Rodrigues de "turistícas", sobre o tema. Por exemplo, só discutí-lo no dia 20 de novembro ou outra data importante, assim, a questão é tratada como algo folclórico desvinculado da questão central que é compreender o processo histórico, social e econômico que gerou a desigualdade entre brancos e negros no Brasil, que separa a conquista do dia da Consciência Negra do processo de luta pelos direitos humanos da maioria do povo brasileiro e assim por diante.
  • Tomar cuidado para não (re)produzir visões equivocadas como a ideia de que existe no Brasil uma democracia racial, de os negros são racistas também, de uma discussão que coloque o afrodescendente como "coitadinho".
A questão fundamental dessa discussão na escola é uma postura de justiça curricular e histórica, e não uma concessão. É uma conquista aprender a história e a cultura do Brasil e do mundo por inteiro, sem excluir ou omitir a parte que incomoda os grupos dominantes que enriqueceram às custas dessa injustiça.

Abaixo, podemos ver um dos resultados desenvolvidos numa escola da prefeitura de São Paulo. Trabalhou-se com os alunos "Contos, mitos e lendas da África" e depois foi produzido com eles um audiolivro com 18 histórias lidas pelos alunos dos 6ºs anos no ano de 2010.

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