A complexidade no estudo dos processos de desenvolvimento humano - Aula 20
Professora Kátia de Souza Amorim - Usp
Para superar uma visão e uma relação estigmatizada com o aluno com necessidades educacionais especiais, é pressuposto que o professor acredite no desenvolvimento do aluno. Saber que todas as pessoas estão em desenvolvimento e possuem o seu próprio processo de aprendizagem.
Para tanto, a escola e os seus professores devem conhecer o aluno, saber o contexto de sua vida, de suas relações sociais com a família, com os colegas, com a sociedade em geral. Uma pessoa é um complexo de relações que ela estabelece com todos e com tudo o que há ao seu redor e, sem se propor a compreender isso, o professor se fecha nos velhos estigmas e preconceitos que interditam as possibilidades de crescimento intelectual e humano de quem está sob a sua responsabilidade no processo de aprendizagem.
O professor não pode estar sozinho - parte I - Aula 27
Professora Cláudia Yazlle - Cindedi
Nessa aula a professora Yazlle apresenta a complexidade das relações e pontos de vistas que envolvem o processo de inclusão e aprendizagem dos alunos com necessidades educacionais especiais. Cada sujeito envolvido nesse contexto, que está direta ou indiretamente, vinculado a esta situação, traz um ponto de vista, perspectivas e dúvidas que deveriam ser partilhadas em algum momento.
Pais, alunos com necessidades especiais ou não, professores, diretores, coordenadores, profissionais da escola e da saúde, todos, em alguma medida, têm uma contribuição possível. E, apesar de visões distintas, medos e dúvidas sobre a questão da inclusão, têm um objetivo comum que deve ser o norte desse processo: o desenvolvimento do aluno (seja ele quem for) como pessoa plena de direitos, sujeito ativo na busca de sua aprendizagem, de seus sonhos e de seus projetos de vida.
Levar em consideração o que cada elemento pode ter de específico (pais, alunos, professores, profissionais da saúde, diretores, coordenadores etc.) é uma forma de aproveitar as contribuições possíveis e importantes nesse processo no qual todos estão aprendendo. Aprendendo a trabalhar diferente, a conviver com o diferente, a ensinar a diferença de modo positivo, a romper os muros da escola com essa perspectiva. É um caminho iniciado, difícil e o professor não pode estar sozinho.
O professor não pode estar sozinho - parte II - Aula 28
Professora Jaqueline Amorim - Cindedi
Foi com a perspectiva da aula anterior, que a professora Amorim, destacou o papel importante da Contituição de 1988 na questão da "igualdade de condições para acesso e permanência na escola como um direito de todos". Quando os alunos NEE's passam a ser integrados em número cada vez maior, isso traz para a escola novos modos de aprender e de comportar-se. No entanto, o professor continua com as mesmas condições de trabalho, as mesmas formas de preparar as aulas, com uma quantidade de alunos superior à ideal para um atendimento adequado de cada um, a mesma visão tradicional de ver os alunos de modo homogeneizador.
Tudo isso traz uma grande frustração para o docente e para o discente. Pois, se o professor entra na sala esperando um tipo de aluno que aprende como o modo que ele prédetermina, o aluno também se frustra porque pensa que vai ter uma aula que o agrade e o estímule. Ocorre uma culpabilização do aluno e do professor por parte da gestão e da sociedade em geral.
Quando o professor procura ajuda no resto da equipe escolar e não a encontra, chega à conclusão de que a escola chegou ao seu limite e se justifica com isso. Novamente professor e aluno são culpabilizados e vistos como incapazes.
A escola deve se organizar para atender o conjunto dos alunos com todas as diferenças que possam trazer. Atuar de modo interdisciplinar, num caminho que explicite as dificuldades sem limitar as possibilidades de desenvolvimento individual, que sirva de instrumento para nortear e estimular ações que desenvolvam as potencialidades dos alunos sem estigmatizá-los. Nesse caminho o professor tem de ser parte de uma equipe escolar comprometida com esse processo, de uma equipe que não se restringe mais aos profissionais da escola, mas também aos setores da saúde e da assistência social.
Nesse processo o papel do professor e as necessidades dos alunos devem ser revistas e recolocadas em toda a complexidade que a nossa sociedade exige.
Nenhum comentário:
Postar um comentário